Música e espiritualidade

Por Joyce Eliza em 14 de novembro, 2016

Não sei se para você é assim, mas para mim a música é algo vital.

Nos meus tempos de menina, a música sempre esteve muito presente em casa.
Meu pai era pianista e, além de estudar todos os dias e trabalhar tocando em eventos, era também um grande apreciador de grupos musicais e cantores da década de 70 e 80. Se não eram as músicas que tocava tão lindamente no piano, ouvíamos à todo volume as fitas cassete que ele gravava, com coletâneas variadas (em geral românticas, que eram as suas preferidas).

Aos seis anos, meu pai decidiu me ensinar a tocar. Eu concordei e comecei a ter aulas diárias. Os estudos eram muito regrados e longos, a parte mais chata para mim. Tinha que exercitar a agilidade e flexibilidade dos dedos com exercícios nada melodiosos e muitas vezes irritantes: erros e tentativas infinitas, até ficar tudo perfeito, sem esbarrões nas teclas vizinhas ou atrasos de tempo. Piano é a absoluta perfeição e, ao contrário dos que não conhecem pensam, tocar uma música sem erros e sem partituras, demora muito, muito tempo. Quando finalmente atingia a perfeição conseguia tocar livre, sentindo as melodias fluírem do meu coração para os meus dedos. Era um sentimento delicioso.

Olhando para trás percebo o quanto a música fez parte do meu começo de vida e o quanto isso contribuiu para a construção da minha sensibilidade e do jeito diferente que tenho de ver a vida. Lembro dos passeios que fazíamos de carro ao som daquelas mesmas fitas cassete. Eu ficava sempre do lado da janela porque me fascinava observar a cidade, as pessoas, as paisagens que iam passando, enquanto as músicas tocavam. Sentia a música vibrar no coração. Sentia que me dava um outro olhar. Os meus passeios preferidos eram durante a noite, sempre com a trilha sonora de fundo. As luzes da cidade que brilhavam pela janela, tinham um ar romântico irresistível.

A medida que desenvolvia o “sentir” da música, crescia em mim uma grande sensibilidade, não só para a música em si, mas para a vida. Sempre fui muito “manteiga derretida”. Não vejo como defeito, na verdade acho muito peculiar da minha forma de ser. Digo sempre que é uma qualidade linda! Consigo penetrar mais a fundo nos meus sentimentos e no das outras pessoas… Consigo entender a vida e como ela funciona. Percebo um pouco mais além e chego ao que já não é mais tangível, ao que não consigo mais enxergar. Percebo energias e o que está além da compreensão física. Sinto presenças e quando elas se aproximam. Consigo discernir inclusive o teor dessas energias… Enfim, a música me ajudou a ser além de sensível, sensitiva.

Hoje em dia, continuo tendo a música como minha fiel companheira, para uma infinidade de coisas… Quando escrevo e de repente a inspiração se vai, recorro à ela para continuar de onde parei. Nas horas tensas, uso a música para adoçar a alma; nas meditações. Nos momentos de celebração, nas contemplações… Na noite, nos momentos a dois, na intimidade dos corpos… Nas taças de vinho. Ainda nos passeios de carro, de ônibus, de trem.

A música é de fato algo vital para mim. Simplesmente me faz bem.
Lembro que li em algum lugar que ela é a linguagem do universo. Isso me fez entender que além de sermos parte do universo, também somos música porque nos identificamos e vibramos em frequências parecidas. Podemos nos transformar, ou transformar situações imediatamente quando ela se faz presente. Ela pode elevar o nosso padrão vibratório (ou baixar também, dependendo do tipo de música), modificando o rumo que poderíamos ter tomado. Nos torna mais propícios ao amor, nos romantiza. Nos sensibiliza rendendo-nos mais susceptíveis à compreensão e mansuetude. Nos inspira quando precisamos de uma mãozinha na produção de algum projeto. E é com ela que estou aqui, nesse exato momento, escrevendo para vocês.
Com música definitivamente conseguimos viver a vida com mais prazer.

Tentar incorporar melodias no seu dia a dia, pode trazer lindas transformações além de elevar o seu padrão vibratório e contribuir para o seu desenvolvimento espiritual.

Uma dica

Após um dia intenso de trabalho, quando chegar em casa, ponha uma música calma e melodiosa enquanto toma um banho. Fique um tempo ali, com você mesmo.
Com certeza entenderá os benefícios que ela pode proporcionar.

Com amor.

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